O Atendimento Educacional Especializado
do
aluno com surdez
De acordo com DAMAZIO (2007,
p.13 ): “ Estudos realizados na última década por diversos autores e
pesquisadores oferecem contribuições à educação de alunos com surdez na escola
comum ressaltando a valorização das diferenças no convívio social e o
reconhecimento do potencial de cada ser humano”. No entanto, sabe-se que as
pessoas com surdez enfrentam inúmeros entraves para serem incluídos, de fato,
na escola comum, visto que grande parte é prejudicada por falta de comunicação,
no geral, nem é somente gestual e nem
oralista, o que gera uma incompreensão
tanto da parte do surdo como do seu orientador.
Nesta visão, os recursos de
comunicação adotados pelo surdo, seja ele mais ou menos oralizado, não podem
ser usados para caracterizá-lo como pessoas. É preciso levar em conta seu percurso de vida e a forma
pela qual seu modo de se comunicar possibilita sua integração nos diferentes
meios sociais que frequenta, fazendo com que ele se sinta incluída.
A Língua de Sinais é,
certamente, o principal meio de comunicação entre as pessoas com surdez, embora
haja discussões entre a adoção de forma oralista e gestualista, sendo as duas
adotadas e não ficando clara a concepção mais eficaz ou que traga melhores
resultados para a prática pedagógica nas escolas comuns. Segundo DAMÁZIO (2010
p.48): “ A aquisição da língua de sinais... não é a garantia de uma
aprendizagem significativa.” Neste contexto, o ambiente em que o surdo está
inserido, principalmente o da escola, na medida em que não lhe oferece
condições para que se estabeleçam trocas simbólicas com o meio físico e social
e não exercita ou provoca a capacidade representativa dessas pessoas,
consequentemente, compromete seu pensamento lógico o que gera um problema cognitivo.
Neste entendimento, as
práticas pedagógicas devem ser definidas, direcionadas para o desenvolvimento
das potencialidades das pessoas com surdez envolvendo um currículo adequado
para que a escola explore suas capacidades em “todos os sentidos”. Cabe às
instituições escolares legitimarem um reconhecimento centrado no respeito às
diferenças.
O trabalho do AEE com a
pessoa com surdez remete à busca da autonomia, independência social, afetiva,
cognitiva e lingüística na escola e fora dela. Faz-se necessário o uso de
metodologias diferenciadas daí a efetivação da “metodologia vivencial, compreendida
como um caminho percorrido pelo professor para favorecer as condições
essenciais da aprendizagem numa abordagem bilíngüe”, enfatizando o “aprender a
aprender”. Esse ambiente bilíngüe é importante e indispensável, já que respeita
a estrutura da LIBRAS e da Língua
Portuguesa.
Ao utilizar a LIBRAS no AEE
há uma associação prévia com o conteúdo que será vivenciado na sala comum. E
como segunda língua o Português é inserido no contexto educativo no uso da
escrita, que para a adequação de seu uso sugere-se que haja a apropriação de gêneros e tipos de textos com
uma proposta didático-pedagógica bem estruturada em favor do desenvolvimento e
aprendizagem para que sejam capazes de gerar sequências lingüísticas, o que é
possível com o trabalho de um intérprete, indispensável ao apoio tanto do
orientador do AEE como do professor da sala comum.
Diante de todos os impasses
e reflexões acerca da educação das pessoas com deficiência vê-se que a inclusão
escolar implica uma ressignificação das práticas de ensino com vistas às tramas
do cotidiano com doses de “ousadia, inovação e determinação”. Segundo GARCIA
(1994, p.64): “A ousadia do fazer é que abre o campo do possível. E é o fazer- com
seus erros e acertos - que nos
possibilita a construção de algo consciente”.