sábado, 28 de junho de 2014

"O MODELO DOS MODELOS" de Italo Calvino e o AEE

    É tarefa do professor da sala de recursos criar ou adaptar serviços e estratégias a fim de que o aluno incluído possa ter acesso a um processo educativo que contemple as suas especialidades.
    Sabe-se que muitas tarefas podem ser realizadas com ferramentas diferentes destas dispostas para a maioria das pessoas, assim como em tempos diferenciados.
    Essa é a caracterização do AEE. Relacionando-a com o texto: ”O MODELO DOS MODELOS” de Italo Calvino, pode-se identificar muitas semelhanças quando ele nos fala de rotina do senhor Palomar ao citá-lo como um personagem criativo, inventivo e preocupado com o bem estar da humanidade, visto que de início este tinha em mente um único modelo e que aos poucos foi se modificando, sua meta era encontrar “aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades distintas no tempo e no espaço”. Por fim ele se depara com uma “realidade mal padronizável e não homogeneizável”.

    Esta é a nossa realidade de seres diferentes e não de “modelos” padrões. Seres que têm suas especificidades e que com um auxílio e orientação adequada terão oportunidades de desenvolver suas potencialidades (objetivo do AEE).

domingo, 25 de maio de 2014

                                    PECS - CALENDÁRIOS

                          Recursos e estratégias em baixa tecnologia



Sistema de comunicação por trocas de figuras ( Picture Exchange Communication System ), que encontram-se organizados de forma sequencial e representam atividades a realizar, auxiliando crianças e adultos com Autismo e outros deficit de comunicação. Eficaz para todas as idades.
Pode ser um sistema de comunicação aumentativa (único método) para aqueles que não falam ou um sistema de de comunicação aumentativa ( complementar/suplementar ) para aqueles que falam.

Poderá ser utilizado em vários ambientes a saber: sala de aula, casa, biblioteca, laboratórios de informática e ciências, AEE, etc.


Existem vários tipos de Calendários:

* De antecipação
*Diário
*Semanal
*Mensal
*Agenda

                 
                                                                             


                   

                        


Os símbolos utilizados no calendário podem ser palavras, imagens ou objetos e a sua escolha depende das capacidades visuais e cognitivas da criança.
Antes de utilizá-lo é necessário estabelecer rotinas diárias e conhecer as capacidades comunicativas visuais, motoras e cognitivas da criança.



Sugestões Relativas ao Uso de Calendário:

* Utilizar em vários ambientes;
* Conversar com a criança a cerca das atividades organizadas sequencialmente;
* Explicar que as atividades se realizam umas a seguir às outras;
*Aumentar gradualmente a quantidade de atividades expostas no calendário;
*Criar oportunidades, sempre que possível, para que a criança selecione o objeto que deverá representar a atividade;
*Utilizar o mesmo para explicar a razão de não realizar qualquer atividade;
*Utilizar para fazer perguntas, comentários, pedidos, sugestões, etc.

pecsemportugues.blogspot.com
www.pecs.com

sábado, 19 de abril de 2014

                                             
  
INFORMATIVO

SURDOCEGUEIRA E DMU


Surdocegueira - Deficiência única e especial que requer métodos de comunicação especiais, para viver com as funções da vida cotidiana.
Surdocegos são os indivíduos que tem uma perda substancial de audição e visão, de tal modo que a combinação dessa dupla perda, causa extrema dificuldades na conquista das habilidades educacionais, vocacionais, de lazer e social.( Kenney, 1997, p.21).

McInnes (1999) subdivide a surdocegueira em quatro categorias:

* Indivíduos que eram cegos e se tornaram surdos;
*Indivíduos que eram surdos e se tornaram cegos;
*Indivíduos que se tornaram surdocegos;
*Indivíduos que nasceram ou adquiriram precocemente.

Deficiência Múltipla -" Conjunto de duas ou mais deficiências associadas de ordem física, sensorial, intelectual, emocional ou de comportamento social.No entanto não é o somatório dessas alterações que caracterizam a múltipla deficiência, mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas." ( MEC - 2006)

Estratégias de Ensino:

Os aspectos: Comunicação e o Posicionamento devem ser utilizados como estratégias de ensino  em ambos os casos. A comunicação é o ponto de partia para chegar a qualquer aprendizagem e o desenvolvimento do esquema corporal visa a interação em todos os momentos das atividades propostas, para que possa fazer uso de gestos ou movimentos com os quais tenha a intenção de comunicar-se.

Necessidades Básicas:

* Envolvimento da família com orientação específica;
*Adaptação do espaço e eliminação de barreiras ambientais;
*Recursos materiais adaptados;
*Recursos humanos especializados e de apoio;
*Tecnologia assistiva;
*Estimulação precoce.

Estratégias para Aquisição de Comunicação:

*Língua de Sinais  Tátil;
*Braille Tátil Manual;
*Alfabeto Dacticológico;
*CCTV ( Amplia as figuras até sessenta vezes)
*Tellethou ch - Aparelho de conversão;
*Letras de Forma;
*Tadoma (Método de vibração do ensino da fala);
*Sistema Pictográfico;
Sistema Malossi ( Consiste na marcação das letras do
alfabeto e dos algarismos nas falanges dos dedos e na palma de uma das mãos do aluno surdocego);
*Linguagem Oral Amplificada;
Adaptações de Equipamentos ( Hardware)


Referências Bibliográficas:

A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010).
 Comunicação para pessoas com Surdocegueira- Ximena Serpa - 2012
Deficiência Múltipla Sensorial - Vula Maria Ikonomidis

segunda-feira, 10 de março de 2014

3ª Atividade - 2ª Semana PS



 O Atendimento Educacional Especializado
do aluno com surdez



De acordo com DAMAZIO (2007, p.13 ): “ Estudos realizados na última década por diversos autores e pesquisadores oferecem contribuições à educação de alunos com surdez na escola comum ressaltando a valorização das diferenças no convívio social e o reconhecimento do potencial de cada ser humano”. No entanto, sabe-se que as pessoas com surdez enfrentam inúmeros entraves para serem incluídos, de fato, na escola comum, visto que grande parte é prejudicada por falta de comunicação,  no geral, nem é somente gestual e nem oralista,  o que gera uma incompreensão tanto da parte do surdo como do seu orientador.
Nesta visão, os recursos de comunicação adotados pelo surdo, seja ele mais ou menos oralizado, não podem ser usados para caracterizá-lo como pessoas. É preciso  levar em conta seu percurso de vida e a forma pela qual seu modo de se comunicar possibilita sua integração nos diferentes meios sociais que frequenta, fazendo com que ele se sinta incluída.
A Língua de Sinais é, certamente, o principal meio de comunicação entre as pessoas com surdez, embora haja discussões entre a adoção de forma oralista e gestualista, sendo as duas adotadas e não ficando clara a concepção mais eficaz ou que traga melhores resultados para a prática pedagógica nas escolas comuns. Segundo DAMÁZIO (2010 p.48): “ A aquisição da língua de sinais... não é a garantia de uma aprendizagem significativa.” Neste contexto, o ambiente em que o surdo está inserido, principalmente o da escola, na medida em que não lhe oferece condições para que se estabeleçam trocas simbólicas com o meio físico e social e não exercita ou provoca a capacidade representativa dessas pessoas, consequentemente, compromete seu pensamento lógico o que gera um problema  cognitivo.
Neste entendimento, as práticas pedagógicas devem ser definidas, direcionadas para o desenvolvimento das potencialidades das pessoas com surdez envolvendo um currículo adequado para que a escola explore suas capacidades em “todos os sentidos”. Cabe às instituições escolares legitimarem um reconhecimento centrado no respeito às diferenças.
O trabalho do AEE com a pessoa com surdez remete à busca da autonomia, independência social, afetiva, cognitiva e lingüística na escola e fora dela. Faz-se necessário o uso de metodologias diferenciadas daí a efetivação da “metodologia vivencial, compreendida como um caminho percorrido pelo professor para favorecer as condições essenciais da aprendizagem numa abordagem bilíngüe”, enfatizando o “aprender a aprender”. Esse ambiente bilíngüe é importante e indispensável, já que respeita a estrutura da LIBRAS  e da Língua Portuguesa.
Ao utilizar a LIBRAS no AEE há uma associação prévia com o conteúdo que será vivenciado na sala comum. E como segunda língua o Português é inserido no contexto educativo no uso da escrita, que para a adequação de seu uso sugere-se que haja a  apropriação de gêneros e tipos de textos com uma proposta didático-pedagógica bem estruturada em favor do desenvolvimento e aprendizagem para que sejam capazes de gerar sequências lingüísticas, o que é possível com o trabalho de um intérprete, indispensável ao apoio tanto do orientador do AEE como do professor da sala comum.
Diante de todos os impasses e reflexões acerca da educação das pessoas com deficiência vê-se que a inclusão escolar implica uma ressignificação das práticas de ensino com vistas às tramas do cotidiano com doses de “ousadia, inovação e determinação”. Segundo GARCIA (1994, p.64): “A ousadia do fazer é que abre o campo do possível. E é o fazer- com seus erros e acertos  - que nos possibilita a construção de algo consciente”.